Jornalista, graças a Deus

Eu tentei, juro que tentei.

Dei um tempo, recolhi as armas, guardei as palavras por mais de um, quase dois anos.

Porque deu gastura, bateu decepção, desilusão, desengano.

Escrever pra quê?

Escrever pra quem?

Escrever por quê?

Repetir ladainhas, me juntar ao coro de uma só voz, me perder na multidão amestrada, comportada, resignada?

Não, nunca. Meu santo não é de barro, meu pavio não é tão longo, minha paciência sequer dobra a esquina mais próxima e curta.

Daí o tempo, o recolhimento, o desaparecimento. A idéia de ser apenas e somente um mero espectador, uma testemunha do tempo e dos acontecimentos, um observador atento (ou não) do dia-a-dia cada vez mais lento e mais previsível.

Essa era a idéia, o plano, a vontade.

Que passou, se foi, esvaiu-se.

De volta, pois.

Porque sou jornalista, graças a Deus.

E não saberia, nessa quadra adiantada da vida, ser outra coisa.

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